Choveu muito em São Paulo hoje. Não tanto como no Rio, mas ainda assim bastante água caiu por aqui.
Saindo de casa, no meio da chuva, vi um senhor jogar um saco de salgadinhos vazio na rua. Inacreditável: na corredeira, sabendo de todos os problemas causados pelo lixo na cidade, ele foi lá e jogou o saco, entrando em seguida sem pudor algum em uma casa.
E eu fiquei parado, batido, sem manifestar reação alguma, falar ou recriminá-lo pela atitude.
Já não é a primeira vez que percebo minha falta de reação aos absurdos que vejo na rua. Lixo jogado em qualquer lugar, barulho alto, desrespeito com as pessoas, na grande maioria das vezes apenas observo, reclamo comigo mesmo e sigo em frente.
Não sei de fato quando começou essa covardia de ação, ou mesmo se é apenas conformismo com a realidade em que vivemos no país. Aprendi da minha família que brigar não leva a nada, e me acostumei a sequer discutir. Não gosto, não consigo convencer quem não entende argumentos da mesma forma que eu (presunção), e prefiro não falar nada, seguir em frente sem incomodar ninguém.
O exemplo eu dou, e nunca vou deixar de dar, mas o seu impacto é limitado, é na família, para minha filha, que vai crescer vendo seu pai respeitar a cidadania e tentar fazer as coisas da maneira certa. Quando posso, tento também passar a mensagem em sala de aula, mas não vou além disso.
Mas não deixo de me sentir um covarde, um inútil, e até ficar um pouco desolado, quando vejo algo que não concordo e me omito de tomar atitude. Não basta tentar fazer tudo corretamente, no fundo o que eu gostaria era tutorar a todos e ter um país mais respeitoso e justo. Isso, infelizmente, só com educação de qualidade e tempo, muito tempo.
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terça-feira, 6 de abril de 2010
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